Fragmentos...
Cibercultura
LÉVY, P. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. 260 p.
Pensar a cibercultura: esta é a proposta deste livro. Em geral
me consideram um otimista. Estão certos. Meu otimismo,
contudo, não promete que a Internet resolverá, em um passe
de mágica, todos os problemas culturais e sociais do planeta.
Consiste apenas em reconhecer dois fatos. Em primeiro lugar,
que o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento
internacional de jovens ávidos para experimentar,
coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas
que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que
estamos vivendo a abertura de um novo espaço de
comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades
mais positivas deste espaço nos planos econômico, político,
cultural e humano. (p.11)
fevereiro, 2000 147
A hipótese que levanto é a de
que a cibercultura leva a copresença
das mensagens de
volta a seu conexto como
ocorria nas sociedades orais,
mas em outra escala, em uma
órbita completamente
diferente. A nova
universalidade não depende
mais da auto-suficiência dos
textos, de uma fixação e de
uma independência das
significações. Ela se constrói e
se estende por meio da
interconexão das mensagens
entre si, por meio de sua
vinculação permanente com
as comunidades virtuais em
criação, que lhe dão sentidos
variados em uma renovação
permanente. (p.15)
O ciberespaço (que também chamarei de
"rede") é o novo meio de comunicação que
surge da interconexão mundial dos
computadores. O termo especifica não
apenas a infra-estrutura material da
comunicação digital, mas também o
universo oceânico de informações que ela
abriga, assim como os seres humanos que
navegam e alimentam esse universo.
Quanto ao neologismo "cibercultura",
especifica aqui o conjunto de técnicas
(materiais e intelectuais), de práticas, de
atitudes, de modos de pensamento e de
valores que se desenvolvem juntamente
com o crescimento do ciberespaço. (p.17)
Um mundo virtual, no sentido amplo, é um
universo de possíveis, calculáveis a partir de
um modelo digital. Ao interagir com o
mundo virtual, os usuários o exploram e o
atualizam simultaneamente. Quando as
interações podem enriquecer ou modificar o
modelo, o mundo virtual torna-se um vetor
de inteligência e criação coletivas. (p.75)
INTERCONEXÃO DE MENSAGENS
COMUNICAÇÃO DIGITAL
REDE
CRIAÇÃO COLETIVA
148 Interface - Comunic, Saúde, Educ 6
LIVROS
A cibercultura dá forma a um novo
tipo de universal: o universal sem
totalidade. E, repetimos, trata-se
ainda de um universal,
acompanhado de todas as
ressonâncias possíveis de serem
encontradas com a filosofia das
luzes, uma vez que possui uma
relação profunda com a idéia de
humanidade. Assim, o ciberespaço
não engendra uma cultura do
universal porque de fato está em
toda parte, e sim porque sua
forma ou sua idéia implicam de
direito o conjunto dos seres
humanos. (p.119)
A emergência do ciberespaço é fruto de
um verdadeiro movimento social, com
seu grupo líder (a juventude
metropolitana escolarizada), suas
palavras de ordem (interconexão,
criação de comunidades virtuais,
inteligência coletiva) e suas aspirações
coerentes. (p.123)
Do mais básico ao mais elaborado,
três princípios orientaram o
crescimento inicial do ciberespaço: a
interconexão, a criação de
comunidades virtuais e a
inteligência coletiva. (p.127)
A interconexão para a interatividade
é supostamente boa, quaisquer que
sejam os terminais, os indivíduos, o
lugares e momentos que ela coloca
em contato. As comunidades
virtuais parecem ser um excelente
meio (entre centenas de outros)
para socializar, quer suas finalidades
sejam lúdicas, econômicas ou
intelectuais, quer seus centros de
interesse sejam sérios, frívolos ou
escandalosos. A inteligência coletiva,
enfim, seria o modo de realização da
humanidade que a rede digital
universal felizmente favorece, sem
que saibamos a priori em direção a
quais resultados tendem as
organizações que colocam em
sinergia seus recursos intelectuais.
Em resumo, o programa da
cibercultura é o universal sem
totalidade. (p.132)
Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de
educação e de formação na cibercultura deve ser
fundada em uma análise prévia da mutação
contemporânea da relação com o saber. Em relação
a isso, a primeira constatação diz respeito à
velocidade de surgimento e de renovação dos
saberes e savoir-faire...
A segunda constatação, fortemente ligada à
primeira, diz respeito à nova natureza do trabalho,
cuja parte de transação de conhecimentos não pára
de crescer...
Terceira constatação: o ciberespaço suporta
tecnologias intelectuais que amplificam,
exteriorizam e modificam numerosas funções
cognitivas humanas: memória... imaginação...
percepção... raciocínio. (p.157)
UNIVERSAL SEM TOTALIDADE
REDE DIGITAL
INTELIGÊNCIA COLETIVA
COMUNIDADES

Nenhum comentário:
Postar um comentário