sexta-feira, 18 de setembro de 2009


Fragmentos...


Cibercultura

LÉVY, P. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. 260 p.

Pensar a cibercultura: esta é a proposta deste livro. Em geral

me consideram um otimista. Estão certos. Meu otimismo,

contudo, não promete que a Internet resolverá, em um passe

de mágica, todos os problemas culturais e sociais do planeta.

Consiste apenas em reconhecer dois fatos. Em primeiro lugar,

que o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento

internacional de jovens ávidos para experimentar,

coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas

que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que

estamos vivendo a abertura de um novo espaço de

comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades

mais positivas deste espaço nos planos econômico, político,

cultural e humano. (p.11)

fevereiro, 2000 147

A hipótese que levanto é a de

que a cibercultura leva a copresença

das mensagens de

volta a seu conexto como

ocorria nas sociedades orais,

mas em outra escala, em uma

órbita completamente

diferente. A nova

universalidade não depende

mais da auto-suficiência dos

textos, de uma fixação e de

uma independência das

significações. Ela se constrói e

se estende por meio da

interconexão das mensagens

entre si, por meio de sua

vinculação permanente com

as comunidades virtuais em

criação, que lhe dão sentidos

variados em uma renovação

permanente. (p.15)

O ciberespaço (que também chamarei de

"rede") é o novo meio de comunicação que

surge da interconexão mundial dos

computadores. O termo especifica não

apenas a infra-estrutura material da

comunicação digital, mas também o

universo oceânico de informações que ela

abriga, assim como os seres humanos que

navegam e alimentam esse universo.

Quanto ao neologismo "cibercultura",

especifica aqui o conjunto de técnicas

(materiais e intelectuais), de práticas, de

atitudes, de modos de pensamento e de

valores que se desenvolvem juntamente

com o crescimento do ciberespaço. (p.17)

Um mundo virtual, no sentido amplo, é um

universo de possíveis, calculáveis a partir de

um modelo digital. Ao interagir com o

mundo virtual, os usuários o exploram e o

atualizam simultaneamente. Quando as

interações podem enriquecer ou modificar o

modelo, o mundo virtual torna-se um vetor

de inteligência e criação coletivas. (p.75)

INTERCONEXÃO DE MENSAGENS

COMUNICAÇÃO DIGITAL

REDE

CRIAÇÃO COLETIVA

148 Interface - Comunic, Saúde, Educ 6

LIVROS

A cibercultura dá forma a um novo

tipo de universal: o universal sem

totalidade. E, repetimos, trata-se

ainda de um universal,

acompanhado de todas as

ressonâncias possíveis de serem

encontradas com a filosofia das

luzes, uma vez que possui uma

relação profunda com a idéia de

humanidade. Assim, o ciberespaço

não engendra uma cultura do

universal porque de fato está em

toda parte, e sim porque sua

forma ou sua idéia implicam de

direito o conjunto dos seres

humanos. (p.119)

A emergência do ciberespaço é fruto de

um verdadeiro movimento social, com

seu grupo líder (a juventude

metropolitana escolarizada), suas

palavras de ordem (interconexão,

criação de comunidades virtuais,

inteligência coletiva) e suas aspirações

coerentes. (p.123)

Do mais básico ao mais elaborado,

três princípios orientaram o

crescimento inicial do ciberespaço: a

interconexão, a criação de

comunidades virtuais e a

inteligência coletiva. (p.127)

A interconexão para a interatividade

é supostamente boa, quaisquer que

sejam os terminais, os indivíduos, o

lugares e momentos que ela coloca

em contato. As comunidades

virtuais parecem ser um excelente

meio (entre centenas de outros)

para socializar, quer suas finalidades

sejam lúdicas, econômicas ou

intelectuais, quer seus centros de

interesse sejam sérios, frívolos ou

escandalosos. A inteligência coletiva,

enfim, seria o modo de realização da

humanidade que a rede digital

universal felizmente favorece, sem

que saibamos a priori em direção a

quais resultados tendem as

organizações que colocam em

sinergia seus recursos intelectuais.

Em resumo, o programa da

cibercultura é o universal sem

totalidade. (p.132)

Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de

educação e de formação na cibercultura deve ser

fundada em uma análise prévia da mutação

contemporânea da relação com o saber. Em relação

a isso, a primeira constatação diz respeito à

velocidade de surgimento e de renovação dos

saberes e savoir-faire...

A segunda constatação, fortemente ligada à

primeira, diz respeito à nova natureza do trabalho,

cuja parte de transação de conhecimentos não pára

de crescer...

Terceira constatação: o ciberespaço suporta

tecnologias intelectuais que amplificam,

exteriorizam e modificam numerosas funções

cognitivas humanas: memória... imaginação...

percepção... raciocínio. (p.157)

UNIVERSAL SEM TOTALIDADE

REDE DIGITAL

INTELIGÊNCIA COLETIVA

COMUNIDADES

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

" Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres.
Se voltarem é porque as conquistei
Se não voltarem é porque nunca as tive . "
Bob Marley